Intenso e apaixonante

[Loucamente Sua – Rachel Gibson, 2012]

Ah, os romances com mulheres poderosas! Esses sim me encantam e são um deleite aos olhos de quem lê e gosta do gênero. Quem sabe essa dica é certeira e faz você engatar a leitura de vez nesse outono preguiçoso! Estou contando com isso.

Nunca falei dessa estadunidense mas ela é muito especial. Sabe por que? Porque as histórias de Rachel Gibson vão além do amor e trazem aquela pitadinha sexy e ardente que faz toda a diferença, em meio à trama intensa e aos acontecimentos inesperados. Loucamente Sua (o primeiro que li de suas obra) não foge à regra e traz protagonistas de peso que se desenvolvem no desenrolar das páginas. Aqui o foco é o casal principal, dando pouca visibilidade aos personagens secundários, que francamente não fazem tanta diferença assim.

O enredo começa de maneira tensa: com o funeral do padrasto da cabeleireira Delaney e seu retorno para o único lugar em que não quer estar. O plano era fácil: enterro, testamento, casa…mas não ia ser tão simples, não é mesmo? Surpreendida com uma cláusula do testamento, ela precisará ficar um ano na cidade que detesta para receber sua parte da herança, de três milhões apenas (coisa pouca). E os absurdos não param por aí, já que o dinheiro só estará na sua conta bancária se ela também não se envolver sexualmente (falando a real mesmo) com o bad boy Nick, filho bastardo de seu padastro.

Se as coisas estão complicadas para Delanay, também ficaram confusas para Nick, que para receber as terras que tem direito não pode ter relações sexuais com ela. O pior é que a cabeleireira fugiu de onde nasceu por um motivo que envolve o bad boy, e eles tiveram uma paixãozinha dez anos antes da morte do pai! Pelo rompimento abrupto, a relação e convivência não será fácil porque envolve muito mágoa e ressentimento do passado, além é claro da provocação de ambos.

O que mais gostei no livro, além da escrita gostosa de Rachel (apesar do erros grotescos de português que passaram despercebidos – não sei como – na revisão), é que a mocinha é uma mulher poderosa, forte, que sabe o que quer apesar de ser esmagada pelos penamentos da sociedade e de sua família. Ela não vê problema nenhum, apesar de pensar muito, em deixar a vida que levava estacionada por um ano e encarar o desafio, mesmo que a motivação seja financeira. Nesse tempo de férias, ela descobre a si mesma e também cria coragem para encabeçar novos projetos e fazer planos diferentes. É daquelas mulheres que não levam desaforo para casa, contesta as cláusulas e imposição das regras e não se deixa abater por um rostinho do passado, dando mais valor a si mesma antes de amar incansavelmente o outro.

Os diálogos entre os personagens são ótimos e talvez por isso a leitura flua bastante. Tem doses de humor, ironia, sarcasmo e o que dá o tom é a provocação, presente na maioria das 344 páginas. Apesar de ser um cafajeste no início, Nick tem um crescimento considerável ao longo da história e consegue ficar menos babaca (a gente entende o porque das ações, afinal, são condições que atingem todo ser humano). As cenas de tensão sexual são boas, porque nem sempre elas são concluídas por causa do acordo, das interrupções e das situações cotidianas, o que causa frustração inclusive no leitor. Entretanto quando elas acontecem, fogos de artifício.

Rachel Gibson já ganhou dois prêmios RITA (Romance Writers of America), que é o maior reconhecimento do gênero que escreve. Seus livros encabeçaram por anos as listas de mais vendidos do The New York Times (2012 a 2014) e atualmente já conta com 45 publicações (tenho todos os títulos lançados no Brasil). É leve, fofo, intenso às vezes, mas com certeza apaixonante e deve ser incluída na sua pilha de cabeceira.

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