Tom Cruise e seu lado sombrio

[A Múmia – The Mummy, 2017]

Quando li a sinopse desse filme, confesso que até deu vontade de assistir: Mesopotâmia, séculos atrás, planos interrompidos, liberdade ao Deus da morte, múmia e ainda Tom Cruise no elenco. Estas palavras chaves já seriam motivo para prender os espectadores na sala do cinema certo? Errado.

Este remake de A Múmia trás Tom Cruise como Nick Morton, um mercenário que junto com seu parceiro Chris Vail (Jake Johnson) caça artefatos antigos para vender ao mercado negro. Os dois cúmplices acabam encontrando, no local onde era a antiga Mesopotâmia, uma tumba e acidentalmente despertam a princesa Ahmanet (Sofia Boutella).  A partir daí, a princesa faz de tudo para terminar o ritual que dará a vida ao Deus da morte – Set – e o tornará imortal. Nem preciso dizer quem foi o escolhido para ser o novo Set nos dias de hoje né?

Pois é! Mas este filme, que tinha tudo para ser um sucesso, é mais um daqueles em que Cruise corre corre (como em Missão Impossível) e parece não chegar a lugar nenhum. O enredo é pobre, com poucas explicações das reais intenções da princesa para a volta de Set e o que subentende-se é que ela era apaixonada pelo Deus e por esse motivo quer torná-lo imortal para que possam viver juntos. Outro item que deixou a desejar nesta produção foi o papel de Russel Crow (Dr Jekyll), seu personagem poderia ser explorado de maneira interessante, principalmente nas questões relacionadas entre o bem e o mal, uma vez que o mesmo vive esse dilema interno.

Os efeitos especiais são os itens que roubam as cenas. Parece que o diretor Alex Kurtzman acertou em cheio, principalmente nas sequências de ação e na caracterização de Sofia. Os zumbis retratados como o exército de Ahnamet são a unica falha, pois mais pareciam aqueles que víamos em filmes dos anos 90.

O final do filme acaba fugindo do clichê, trazendo uma surpresa agradável a quem assiste, imprevisível e deixando o gosto de quero mais (poderemos ver nas telinhas a continuação em breve, pois já estão previstas pela Universal), além de deixar muito mais claro a dubiedade entre o lado sombrio existente em cada um, objetivo central do filme.

Em linhas gerais, é um filme que divide opiniões e vale a pena tirar suas conclusões após assistir. Vale lembrar que Tom Cruise não está em seu auge de atuação e em alguns momentos sua interpretação chega a ser decepcionante, mas como é a primeira produção de uma série, esperamos que a Universal tenha mais sorte em seus próximos enredos.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *