‘Alguns infinitos são maiores que outros’

[A Culpa é das Estrelas, 2012]

– Sinto muito – Falei de novo.
– Eu também – ele disse.
– Não quero nunca fazer uma coisa dessas com você – falei para ele.
– Ah, eu não ia me importar, Hazel Grace. Seria uma honra ter o coração partido por você (p. 161).

 

Esse não é um romance comum, foi o que pensei em meio as minhas lágrimas quando acabei de ler A Culpa é das Estrelas, de John Green. Não vou mentir, esse é um livro triste, mas esse sentimento não é a verdadeira essência da história lançada no Brasil pela editora Intrínseca.

Ao longo das páginas acompanhamos a trajetória de Hazel, uma adolescente de 16 anos diagnosticada com câncer desde os treze e que sobrevive graças a um medicamento em fase de teste, que mantém seu pulmão sob controle. Ciente de que possui uma doença terminal, ela vive assistindo TV e lendo livros, em especial um chamado Uma Aflição Imperial, que narra também a história de uma menina com a mesma moléstia. Entretanto, o autor dessa obra prima deixa a leitora com muitas dúvidas sobre o fim da narrativa, o que ocupa a maior parte de seus pensamentos. É nesse contexto que surge Augustus Waters, 17 anos, bonitão, bem-humorado, boa pinta, parte importante do livro…mas que não possui uma perna. Ele também é um sobrevivente do câncer e frequenta o mesmo grupo de apoio de Hazel a pedido de um amigo, que infelizmente perde a visão também por causa da doença.

Tinha tudo para dar errado. As provocações, as ideias diferentes sobre o mundo e também sobre a existência humana, os jeitos de encarar a dor, o sofrimento e todo o tratamento, o sarcasmo, os gostos próprios…,mas no fim, deu certo e muito certo. O que vemos durante todo o enredo é a busca pela felicidade e pelo nosso sentido de estarmos completos, pelo outro e através de nós mesmos. Não só isso, é um relato sincero de nossos medos, que não necessariamente precisam vir de uma doença, da nossa observação e responsabilidade e daquilo que vamos deixar como legado para os outros, e de como os que estão ao nosso redor fazem parte de nossa vidas mas possuem sua própria história, precisando seguir em frente mesmo que não estejamos mais nela.

Esse é o problema da dor (…). Ela precisa ser sentida (p. 63)

Um dos personagens que me cativou foi a mãe de Hazel. Ela personifica o exemplo de mãe que ama incondicionalmente, que está presente em todas as situações e que em certos momentos pode até ter se anulado, mas busca coragem e ganha força para se fazer melhor e se reinventar através das adversidades. E quantas pessoas assim não temos a oportunidade de conviver no dia a dia, afinal, ninguém sabe os demônios que cada um enfrenta por traz de um rosto sereno e um sorriso.

Sensível e arrasador, esse é o meu queridinho do escritor e o primeiro livro de John Green que li. Na verdade, devorei as páginas, porque além do jeito harmonioso da narrativa, queria logo chegar no final, no qual fui surpreendida por tamanha brutalidade e generosidade de palavras. Mais do que uma ficção, é algo incentivador, encorajador e honesto, dando a importância devida a dor. Você nunca vai estar preparado para o último quarto da obra! Pode apostar.

A Culpa é das Estrelas ganhou adaptação para o cinema em 2014, ano em que chegou a vender 25 mil exemplares por semana no país. Foi um dos filmes que assisti que mais se comparou a ideia original, portanto selo de aprovação para o diretor Josh Boone, com certeza (se ainda não viu, corre para assistir porque Shailene Woodley e Ansel Elgort dão um espetáculo interpretando o casal).

Livrinho bom para ler nas férias, no estresse do dia a dia, no trabalho, no ônibus, em casa ou quando precisar de algo que nos faça enxergar o mundo como ele é, mas também nos coloque pra cima em meio ao caos.

(…) Parecia que tinha sido, tipo, há uma eternidade, como se tivéssemos vivido uma breve, mas infinita, eternidade. Alguns infinitos são maiores que outros (p. 210).

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