O famoso patriotismo americano

[O Dia do Atentando – Patriots Day, 2016]

É notório que o Estados Unidos, e seu povo, possui um patriotismo que beira o fanático em algumas situações. Também não é de hoje que o cinema retrata esse sentimento, em toda a sua glória. Geralmente vemos grandes ameaças ao país, tais como ataques terroristas, bombas e fatos reais virarem pano de fundo para a velha história do ‘americano‘ bonzinho que apenas quer se vingar porque o impediram de viver feliz e em paz. Mais do mesmo clichê que nos empurram repetidas vezes.

O Dia do Atentado não foge à regra, mas contém um diferencial gigante à cerca de toda a construção da narrativa e de seus personagens. Se utilizando dos acontecimentos de 2013, quando a Maratona de Boston foi alvo de um atentado terrorista e duas explosões que deixaram três mortos, entre eles um menino de oito anos, o roteiro conta a saga de policiais desde o atendimento médico dos 264 feridos, alguns até perderam pés e pernas, à caçada aos responsáveis pelo ataque, os irmãos chechenos Dzhokhar Tsarnaev e Tamerlan Tsarnaev.

Mark Wahlberg é o protagonista e interpreta Tommy Saunders, uma mistura de pessoas reais que contribuíram de alguma maneira na ação. Ele é o cara controlador, esquentado, estressado, cheio de problemas no trabalho, com limitações de saúde, mas que organiza o resgate, que também briga por ambulâncias e que ao mesmo tempo humaniza a morte, nos deixando tocados por seus sentimentos conflitantes. Talvez ele seja a grande liga dessa história, já que seu papel é crucial na linha dos acontecimentos e na conexão com FBI, polícia, bandidos e testemunhas.

Duas coisas chamaram minha atenção na produção: a cena em que as bombas explodem (vai por mim: vai ser quando você menos esperar, estiver envolvido na trama e é um grande fator positivo), que é tão rápida mas também tão aleatória que você se sente no local do atentado, afinal, quem ouve musiquinha triste e vê tudo em câmera lenta (como na maioria dos filmes do gênero) quando isso acontece? Também a quantidade de sangue e mutilação, incomum nas produções atuais, salvo talvez por Até O Último Homem. O diretor Peter Berg abusa das pernas decepadas, artérias a mostra, ferimentos, partes do corpo como são, assim como as salas de hospitais lotadas e atendimentos sem nenhuma dose de requinte, afinal, para salvar uma vida vale mesmo a rapidez!

Dividido em duas partes bem marcadas: o antes do atentado (em que o espectador conhece a história e se aprofunda nos personagens, beirando até um pouco a chatice) e o pós explosões (em que o filme adquire um ar sombrio, de fazer justiça), vemos ao longo da produção muito humor (pelo menos pareceu para mim!) e também muitas falhas, principalmente no quesito motivação para praticar, confeccionar e explodir as bombas, parte muçulmana do elenco (taí o mais do mesmo de que americanos são fofinhos e o resto do mundo não). Como sempre, no filme a culpada de tudo é a religião.

O destaque fica para a cena de interrogatório, com duas personagens femininas. Apesar da persuasão você nunca vai saber de que lado a acusada está, uma das cerejas do bolo do longa-metragem. A parte não tão boa ficou para o final, que como a maioria das produções inspiradas em fatos reais parece querer justificar a realização de tudo isso, e por isso inclui depoimentos dos sobreviventes. Veja bem, tudo certo você colocar imagens, mas relatos que ocupam tempo demais, em um filme que já é longo por natureza é um verdadeiro tiro no pé.

De qualquer maneira, vá ao cinema e tire suas próprias conclusões, porque independente da ideologia, do fanatismo e do patriotismo, é um baita filmão.

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