Do rock progressivo às trilhas de novela: 40 anos de sucesso

[Guilherme Arantes: 40 anos, 2017]

Eu vivo sempre no mundo da lua. Porque sou inteligente, se você quer vir com a gente, venha que será um barato.
Pegar carona nessa cauda de cometa. Ver a via láctea, estrada tão bonita. Brincar de esconde-esconde numa nebulosa. Voltar pra casa no nosso lindo balão azul. (Lindo Balão Azul, 1983)

Aos 63 anos, Guilherme Arantes é um daqueles ícones que você pode até não conhecer ou saber da existência, mas com certeza já ouviu suas composições por aí. E não falo apenas das famosas, como Planeta Água (1981), Cheia de Charme (1985), Amanhã (1977), Cuide-se Bem (1976) e Êxtase (1979), por exemplo. Tem também aquelas que foram imortalizadas na voz de outros artistas, tal qual Aprendendo a Jogar (1972) e a performance inesquecível da minha pimentinha Elis Regina.

Figurinha carimbada nas trilhas de novela e um artista que perpetuou pelas diferentes épocas musicais do país, não é à toa que já foi regravado por cantores de peso como Nando Reis, Zélia Duncan e Vanessa da Mata. Afinal, quem compõe para Maria Betânia, Ronnie Von, Cauby Peixoto, Belchior, Fafá de Belém, Caetano Veloso Zizi Possi e Roberto Carlos merece reconhecimento.

Em 2016, Guilherme Arantes completou 40 anos de carreira e reuniu toda essa trajetória em um show intimista, apenas ele e o teclado, em que conversa com o público sobre suas canções e a história de cada uma delas. Essa bagagem de vida pude conferir em sua apresentação no 25º Maio Musical de Indaiatuba (SP), festival gratuito oferecido pela Secretaria Municipal de Cultura, que lotou o Sala Acrísio de Camargo no feriado de 1º de maio desse ano.

De início, quem não curte música popular brasileira, com um pouco de bossa e de balada, pode achar tudo meio igual. Mas as composições são tão profundas e tem tanto significado que fazem sentido, principalmente para os apaixonados, porque Arantes fala muito de amor: ao próximo, a si mesmo e ao universo.

Eu queria tanto
Estar no escuro do meu quarto
À meia-noite, à meia luz
Sonhando!
Daria tudo, por meu mundo
E nada mais…
(Meu Mundo E Nada Mais, 1976)

É impossível ficar parada ou não entoar as letras do músico completo,  que começou sua carreira como tecladista e vocalista da banda Moto Perpétuo, um grupo de rock progressivo dos anos 70. Além disso, ir no show comemorativo é mergulhar na história da música nacional. Quem diria que Planeta Água foi escrita em apenas 15 minutos para integrar um CD do Ney Matogrosso (amém Ney)?

O que mais gostei foi a contextualização do espetáculo, onde sabemos da inspiração, da sociedade, do que era ouvido e do momento histórico e político de cada época e isso Guilherme Arantes faz muito bem. No fundo, acredito que além de artista, ele é um grande contador de histórias que nos fascina com seu tamanho conhecimento. Vale a pena, viu! Então…

Deixa chover. Ah! Ah! Aaaaaaah! Deixa a chuva molhar…Dentro do peito tem um fogo ardendo que nunca vai se apagar… (1981)

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