Ousadia é lutar uma guerra sem armas

[Até o Último Homem – Hacksaw Ridge, 2016]

Esse foi um dos meus favoritos ao Oscar 2017 e já começa do jeito que eu gosto: inspirado em fatos e histórias que realmente aconteceram. Até O Último Homem conta a trajetória de Desmond T. Doss, um médico do exército que se recusou a pegar em uma arma e matar inimigos durante a Segunda Guerra Mundial. Tudo isso porque não queria repetir incidentes da adolescência e contrariar sua religião. Mas, até que ponto vai a fé? Será que ela é o bastante para garantir-se a salvo no campo de batalha?

Doss provou que sim e durante a Batalha de Okinawa salvou mais de 75 homens trabalhando na ala médica. Esse feito garantiu que o soldado se tornasse o Opositor Consciente da história norte-americana a receber a Medalha de Honra do Congresso. Ganhar o reconhecimento foi uma jornada árdua, pois não é fácil ganhar o respeito de seus aliados se mostrando contrário em defender o colega do próprio time por escolher, por vontade própria, não se defender ou atirar.

O que poderia ser mais do mesmo ganha notoriedade na interpretação de Andrew Garfield, que já é o novo queridinho da sétima arte. Sem arrogância, ele é um misto de mocinho bem intencionado e herói corajoso que por si só integram a receita básica do sucesso. De tímido à engajado, o personagem passa por uma transformação no meio de explosões, cinzas, sujeira e muita dor.

Se a fé é parte centralizadora do longa-metragem, toda a ação e a guerra em si fazem o enredo ser perfeito. E não do jeito bonito. O diretor Mel Gibson abusou dos combates e da violência e foi o responsável por tornar o inimigo tão desprezível. Não à toa você vai se deparar com corpos dilacerados, destroços pelo campo de batalha e muito sangue. Em nenhum momento isso desmerece o filme.

A sonoplastia, assim como a edição de imagem, merece sua atenção. De tão bem feita, você se sente preso à trama e é impossível não se sentir tocado, mesmo que você não exerça ou acredite em algo celestial. Os depoimentos no final não eram necessários, apenas dão a veracidade para toda a história. É como se fosse uma atestado de que aquilo aconteceu.

Até o Último Homem agrada os fãs de ação, de biografias, de guerras e aqueles que acreditam no poder da religião. A produção entra no catálogo da Netflix no dia 2 de maio, ou seja, é uma oportunidade para apertar o play e tirar suas próprias conclusões.

 

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