A São Paulo dos anos 50 nas linhas de um romance

[Crônica de Uma Namorada – Zélia Gattai, 1995]

Às vezes um livro nos marca por causa de um momento especial. Crônica de Uma Namorada (e de uma família paulista nos anos 50), de Zélia Gattai, é um desses, já que foi o primeiro que emprestei na Biblioteca Municipal de Campinas (SP): meu grito de liberdade na literatura.

O romance, que é o primeiro da escritora paulista, conta a história de Geana: uma garota de 15 anos, neta de italianos, que precisa enfrentar a morte da mãe e conviver com uma madrasta ao mesmo tempo que experimenta transformações físicas e o despertar da sexualidade, se apaixona e descobre as dores e delícias do amor. Tudo isso em um tom descontraído que retrata a São Paulo dos anos 50, e vai mais além, nos dá um painel da sociedade da época.

De um jeito simples, as palavras se tornam um relato detalhado das mudanças, que cativam o leitor a cada linha. Os temas cotidianos causam empatia e por isso, muita gente se identifica com as tais maneiras de lidar com as descobertas, presentes e comuns na vida: as primeiras paixões, as lembranças das férias, o Natal e as conversas com os mais velhos são só alguns exemplos.

Zélia Gattai era escritora, fotógrafa e memorialista (como ela mesma preferia denominar-se) brasileira, tendo também sido expoente da militância política nacional durante quase toda a sua longa vida, da qual partilhou cinquenta e seis anos casada com o também escritor Jorge Amado, até a morte deste. Morreu aos 91 anos, na Bahia e é um dos principais nomes da literatura nacional.

Gostosinho e viciante, Crônica de Uma Namorada é um livro para ter na cabeceira e sempre ao alcance dos olhos.

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