Meninas são das estrelas

[Meninas – Ziraldo, 2016]

Uma infância marcada pelas peripécias de um garoto usando uma panela no lugar do chapéu. Lá se foi Ziraldo conquistando milhares de corações e aguçando o imaginário de muitas crianças que também se sentiam como o Menino Maluquinho.

Meninas ainda perpetua o cenário infantil, mas dessa vez o autor se concentra em explicar quem é a menina, dos 7 aos 11 anos, única, cada qual com sua peculiaridade: as que possuem amigos imaginários, que transformam lágrimas em rios, que enfrentam rainhas loucas e também as que se apaixonam por gatos luminosos. Não, qualquer semelhança com Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll não é mera coincidência.

Depois de ler mais de 100 exemplares diferentes da história de Alice, Ziraldo percebeu que a obra é além de tudo uma homenagem à menina, que se torna mulher! Surgiu então o livro, lançado pela Melhoramentos na 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo (2016) e que conta com os desenhos do mestre Zira e a contribuição do colorir de Renato Aroeira, ilustrador, chargista e músico. Uma parceria que deu certo e que faz com que as garotas se reconheçam, tornando-se um indispensável material para que todas percebam seu potencial, afinal:

Os meninos são dos planetas, mas meninas são das estrelas.

Um breve encontro com um ídolo da infância

Em um sábado de muito calor, em um pátio lotado de leitores vorazes, no pavilhão do Anhembi em São Paulo, eis que surgem bonecos do Menino Maluquinho e eu com todo o meu lado criança aflorado (quem me conhece sabe que eu amo a Magali, sou fã da Mônica e se eu puder tirar uma foto com cada personagem, lá estarei, e com certeza farei meus amigos passarem vergonha também – um dia conto sobre a exposição em homenagem aos 50 anos da Mônica e do Mauricio de Souza, no MUBE (Museu Brasileiro de Escultura). Afinal, qual é a graça de estar da Bienal Internacional do Livro de São Paulo e não aproveitar absolutamente tudo?

Nesses locais sempre temos a impressão de que estamos perdendo algo, por falta de tempo, pelas longas filas, pelo tanto que há para ver, visitar e conhecer. Mas, sempre somos surpreendidos por algo incrível, como amigos que surgem em filas e palestras ali do seu lado e momentos que te deixam na frente de Ziraldo lançando um livro.

Fiquei sabendo que o autor estaria no estande em alguns momentos e lá fiquei. Deu tempo de conhecer e adquirir Meninas, ler, se apaixonar por se sentir representada em uma obra infantil, fazer novos amigos e conhecer leitores mirins tão extraordinários que às vezes me faltam palavras.

No livro “Meninas”, o meu tão precioso autógrafo.

Ziraldo chegou, atendeu a todos os fãs que o esperavam em uma fila longa e que só crescia com mãos trêmulas e um sorriso
no rosto e, quando chegou a minha vez, fez piadinha com os meus cachos. Foi tão espontâneo que só consegui dizer ‘você fez parte da minha infância, no fundo sempre me achei um pouco maluquinha também, obrigada por histórias fabulosas’. E então ele voltou a sorrir, agradeceu e falou que esperava que eu gostasse desse trabalho diferente.

O autógrafo foi um presente, a foto dando risada também. O que mais marcou foi sua simpatia, não só comigo, mas com todos que o aguardavam, de todas as idades, cada um com uma experiência para compartilhar. Com 84 anos, não é à toa que ele seja um daqueles legados que passamos de geração para geração, o que tenho certeza que ficará na memória de muitos por um longo tempo, assim como tudo o que ele representa: uma infância simples e feliz!

 

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