Como uma garota? Somos TODAS donas da rua

O dia internacional da mulher, celebrado em todo 8 de março, é uma data importante porque homenageia as que vieram antes de nós, pois uma vez que somos tradição e carregamos feminilidade e memória através do nosso corpo e de nossas experiências, também transmitimos nossos valores e deixamos a nossa marca no mundo. Além disso, a data que foi reconhecida oficialmente pela Organização das Nações Unidas (ONU) somente em 1977, é uma maneira de lembrar que, nós mulheres podemos fazer exatamente o que desejamos, queremos e precisamos, porque temos capacidade para nos aventurar e fazer bem feito tudo o que nos propomos, certo?

Seria um lindo conto de fadas se os dados não fossem tão desanimadores. A violência doméstica cresce no mundo e é responsável pela morte de cinco mulheres por hora. Isso quer dizer, segundo pesquisa da ONG Action Aid, que 119 mulheres são assassinadas DIARIAMENTE por um parceiro ou parente. A estimativa é que 500 mil mulheres serão mortas por seus familiares até 2030 e o Brasil ocupa a quinta colocação nesse ranking do horror.

De acordo com o Instituto Avon,  TRÊS EM CADA CINCO mulheres jovens já sofreram violência em um relacionamento. OITENTA E CINCO PORCENTO das brasileiras tem medo de sofrer algum tipo de violência sexual e SEIS EM CADA DEZ brasileiros conhecem alguma mulher vítima de violência doméstica. Infelizmente, essa é a realidade crua que não nos enche os olhos.

Claro que não é fácil. Que a nossa luta por igualdade, principalmente no mercado de trabalho, direitos, leis que nos protejam e respeito é diária. Que sororidade é algo que deve ser constante, que empatia é a palavra chave e que unidas somos mais, somos grandes, somos todas! Só não podemos esquecer do real motivo da luta: ‘nenhuma a menos’ e todas realizadas.

Para inspirar e dar coragem para perpetuar a caminhada, reunimos nesse texto alguns livros, filmes e exemplos de mulheres incríveis, seja ela uma escritora, uma atriz, a personagem de um filme ou de uma grande história. Compartilhe com as grandes MULHERES ao seu redor e nos conte quem são suas heroínas.

 

Personagens

Mônica: baixinha, gorducha e dentuça?

Se tem uma menina que é símbolo da infância brasileira, essa é a Mônica, de Mauricio de Sousa. Criada em 1963, foi inspirada na filha do próprio autor, toda cheia de personalidade e que não leva desaforo para casa, de ninguém. É considerada a menina mais forte do bairro do Limoeiro e é líder do grupinho de amigos, além de ser embaixadora do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Tem uma imaginação gigante e uma amizade linda com a Magali (aqui temos um exemplo de apoio mútuo entre mulheres para as meninas que leem os quadrinhos). Juntas as duas encabeçam a campanha Donas da Rua que inspiram as garotas a não ter medo de ser quem elas quiserem.

 

Mafalda: debates atuais sem importar a passagem do tempo

Quem conhece Mafalda, do argentino Quino, sabe que quando ler sua tirinha vai enfrentar um questionamento político ou ficar com uma indagação sobre a vida. Nascida em 1963, a personagem foi inspirada na avó comunista do cartunista e traduzida para mais de 30 idiomas, entre eles o chinês e o finlandês. Mafalda e sua turma ilustraram a Campanha Mundial pela Declaração dos Direitos da Criança promovida pela Unicef em 1977. Desbocada e sincera, é uma das minhas personagens preferidas pois dá voz a muitas quebras de tabus.

 

Escritoras

Marian Keyes: de todas, a minha preferida

Irlandesa e formada em direito, Marian Keyes já vendeu mais de 22 milhões de exemplares de suas obras em todo mundo e já foi traduzida para 32 idiomas. Depois de ter problemas com o alcoolismo e enfrentar a depressão, decidiu escrever em suas histórias também suas experiências, para conscientizar o público leitor dos problemas que podem afligir qualquer um. Rainha do gênero chick-lit, aborda luto, depressão, pós-parto e cotidiano com leveza e humor, sem tirar o devido peso de cada um. Também é uma das autoras que escreve sobre violência doméstica e participa de campanhas a favor da mulher. Seu livro mais conhecido, e o primeiro lançado, é Melancia, mas destaco: Férias!, Tem Alguém Aí?, Los Angeles e o predileto, É Agora… ou Nunca. Um dia contarei como foi encontrá-la pessoalmente e mais, perguntar sobre sua paixão pela escrita (coisas proporcionadas pela 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em 2016).

 

Carolina de Jesus: solteira por opção

Negra, pobre e mineira, Carolina Maria de Jesus deixou a zona rural do interior para viver na zona norte de São Paulo, onde trabalhava como catadora e escrevia o cotidiano da comunidade em cadernos e revistas que encontrava no lixo. É considerada umas das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil, mas não só isso, retratou a sociedade em que vivia como ninguém e fez de Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada (1960) uma obra eterna. Se recusou a casar-se por ter presenciado muito casos de violência doméstica, preferindo estar solteira. Sua obra foi traduzida para 13 idiomas e vendida em mais de 40 países.

Livros

Eu sou Malala –  Malala Yousafzai e Christina Lamb

Uma menina levantou a voz quando o Talibã tomou o controle. O motivo? Luta por educação. A consequência? Um tiro na cabeça à queima roupa em 9 de outubro de 2012, dentro de um ônibus escolar. Depois de ser desacreditada pelos médicos e de uma recuperação milagrosa, Malala Yousafzai não mais se calou e aos dezesseis anos se tornou um símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem da história a receber o Prêmio Nobel da Paz. Nesse livro o que vemos é o debate sobre o terrorismo global, a luta pelo direito à educação feminina e os obstáculos à valorização da mulher em uma sociedade que valoriza filhos homens.

 

O Diário de Anne Frank

Com certeza, um dos meus livros favoritos. Acompanhar o relato da pequena Anne Frank, morta pelos nazistas após perder a família e passar anos escondida no sótão de uma casa em Amsterdã, é devastador e incentivador ao mesmo tempo. O primeiro porque é uma passagem real em que milhões de seres humanos foram dizimados e perceber o quão madura Anne precisou ser com toda uma vida pela frente ainda me choca, porque ela acreditava e tentou sobreviver ao Holocausto. Encorajador porque ela nunca perdeu a esperança e a fé em si mesma. Ela é memória de um pedaço da história mundial que não mais queremos que aconteça e um dos grandes símbolos da luta contra a opressão e a injustiça

 

Filmes

Escritores da Liberdade, 2007

Em Los Angeles, a dedicada professora Erin Gruwell (Hilary Swank), de uma escola dividida por raças, ensina uma turma de alunos adolescentes que apresenta problemas de aprendizagem. Com métodos não convencionais, ela os inspira a acreditarem em si mesmos, pois estão prestes a serem reprovados. Como se isso não bastasse para um grande enredo, o filme é inspirado na história real de uma professora que realmente fez tudo o que estava a seu alcance, de maneira incondicional, para que seus alunos obtivessem sucesso.

A película aborda preconceito, holocausto, gangues (comuns nos Estados Unidos), relações familiares e entre os membros da comunidade que cada estudante está inserido e debate o certo e o errado em diferentes situações, além de ser instrumento de conhecimento de si mesmo.

 

 

 

Histórias Cruzadas, 2011

Esse é um grande exemplo de sororidade feminina. Nos anos 60, no Mississippi, Skeeter (Emma Stone) é uma garota da sociedade que retorna determinada a se tornar escritora. Ela começa a entrevistar as mulheres negras da cidade, que deixaram suas vidas para trabalhar na criação dos filhos da elite branca, da qual a própria Skeeter faz parte. Aibileen Clark (a maravilhosa Viola Davis), a empregada da melhor amiga de Skeeter, é a primeira a conceder uma entrevista. Apesar das críticas, Skeeter e Aibileen continuam trabalhando juntas e, aos poucos, conseguem novas adesões.

Segregação, preconceito, violência doméstica, racismo e a morte do presidente americano John F. Kennedy são alguns dos temas presentes na produção, inspirada no livro A Resposta, da norte-americana Kathryn Stockett. Além das grandes atuações de Viola Davis e Octavia Spencer, que interpretam amigas que se dão apoio mútuo em diferentes situações, a empatia das personagens de Emma Stone e da fabulosa Jessica Chastain são exemplos de que basta se colocar no lugar do outro para querer que sejamos iguais. A união das empregadas domésticas também prova que juntas somos ainda mais fortes.

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